
O YouTube esteve muito em pauta na mídia, nas últimas semanas. Diversos veículos de comunicação divulgaram e acompanharam a mais nova inovação desse site. Foi a parceria com a banda irlandesa U2, para a transmissão do show do grupo, que aconteceu no último domingo (25), no Rose Bowl, em Pasadena, cidade próxima de Los Angeles, na Califórnia. Apesar da qualidade relativamente baixa, o YouTube inovou mais uma vez, possibilitando que pessoas de dezenove países diferentes tivessem acesso ao show da banda, via este canal.
Essa ação do YouTube, volta a acirrar opiniões divergentes sobre seus poderes e limites. Até que ponto ele está tomando o mercado e a atenção da TV? Nesse post desse próprio blog, já havia comentado um pouco sobre esse assunto, a partir de uma entrevista de Chad Hurley, um dos fundadores do site, em sua visita ao Brasil, no final de Agosto desse ano. Entretanto, não vai ser meu objetivo aqui, retomar essas questões, mas sim, falar um pouco sobre as principais características do site.
No New Brand Communication, que ocorreu nos dias 20, 21 e 22 de Outubro desse ano, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, Joshua Green, professor do MIT e autor do livro YouTube e a Revolução Digital, falou em sua palestra, muito sobre a cultura que vem se formando ao redor do YouTube. Joshua disse que o conteúdo do YouTube é indeterminado, e que o site não tem como função principal o broadcasting. O conteúdo exposto lá, é em maior parte produzido por pessoas comuns do que por profissionais em geral.
Alguns vídeos, como o do Chicken Mc Donald´s geram uma certa dúvida sobre quem foi o verdadeiro responsável pela produção do material. Simples usuários ou profissinais de comunicação. O fato é que para muitas empresas, não importa quem esteja falando de seu produto, desde que a divulgação seja feita de uma maneira positiva. Vide o caso do programa de auditório do David Letterman. A CBS, rede de televisão americana que transmite o programa do apresentador, encontrou um pequeno problema no YouTube. Um usuário qualquer colocava partes do programa Late Show with David Letterman no site. A página sempre atraía muitas visualizações e comentários. A emissora então, resolveu criar seu canal oficial de transmissão no YouTube, mas apesar disso, o usuário não parou de atualizar seu canal no site com novos programas, e continuou atraindo muitas pessoas. O responsável pela comunicação da CBS, deu uma entrevista dias seguintes dizendo basicamente: “Se a o usuário estiver divulgando nosso programa, porque se opor”.
Isso nos remete a uma discussão um pouco mais intensa sobre a necessidade do surgimento de novos profissionais que entendam de mídias sociais. A sensibilidade para lidar com diferentes opiniões do público são essenciais para o sucesso de qualquer marca. Vou citar outros dois exemplos. Nos Estados Unidos um expremedor chamado Slap Chop, faz muito sucesso. Seu comercial na televisão passa com muita freqüência. No YouTube um criativo usuário resolveu criar o Slap Chop Rap. Fazendo um rap para o comercial do produto e postando no YouTube. Engraçado, o vídeo teve muitos acessos, e a marca nada fez. Afinal, ele estava contribuindo para a divulgação do produto.
Outra campanha que ficou famosa foi a dos liquidificadores Blendtec. O case feito por meio de vídeos do YouTube, mostrava que esses liquidificadores poderiam liquidificar qualquer coisa. Através da participação do público em mídias sociais, o apresentador escolhia novos objetos para serem destruídos e assim, comprovarem a potência do produto. A destruição de um iPhone pelo liquidificador, foi um dos vídeos mais vistos do YouTube.
O Twitter também é uma mídia social importantíssima, que está caminhando lado a lado com o YouTube. Se voltarmos de novo ao show do U2, veremos que milhares de pessoas participaram em massa, via essa ferramenta, ao mesmo tempo que estavam vendo o show pelo YouTube. A partir disso é possível concluir que é inquestionável a consolidação das mídias sociais como foco importante de estudo e o reconhecimento desses meios como fortes mídias de relacionamento com clientes e divulgação de produtos.